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Segredos entre linhas

Segredos entre linhas

09
Out21

Cancer, school and other shit

S|a|t|u|r|n|o
Começou o que eu chamo "pré-outono", manhãs extremamente frias e tardes extremamente quentes, e com isto apanha-se uma gripezinha incrível.
Como já referi no texto abaixo começou a escola (ou o inferno sem brasas, como preferirem), e diáriamente, menos às sextas, entro às oito horas em ponto, e para entrar a esta hora necessito apanhar o autocarro das 7:25, onde acabo SEMPRE, por atrasar-me. Ainda nem tem um mês de aulas e eu já me fartei de olhar para os livros, fazer questões aulas e principalmente olhar todos os dias para a cara da velhinha que está TODOS os dias no autocarro de manhã a falar da vida da vizinha. Mas claro, como tudo na vida não há só desvantagens, por exemplo, ver a cara dos meus amigos logo de manhã, jogar todos os dias às cartas na hora do intervalo... Uma das melhores coisas deste ano, que está a começar, foi ter a minha primeira aula de filosofia decente, porque o meu professor de 10.° ano não dava aulas e era um toxicodependente. (Concluir que a minha teoria dos professores de filosofia terem todos os "parafuso a menos" esteja totalmente correta.)  Mas, saber que este é o meu penúltimo ano da minha vida antes da universidade, da-me uns nervos e ansiedade, principalmente por conhecer tantas pessoas que este ano se candidataram à universidade e algumas estão à espera das segundas colocações, que me faz realmente pensar que quando for eu, será que irei entrar ou serei mais um falhado que fica mais um ano à custas dos pais enquanto melhora a média?
Contudo, digo-vos que estava tudo a correr às cinco maravilhas até a minha mãe chegar ao meu lado e dizer que o meu pai está com cancro, OUTRA VEZ, por momentos julguei que seria uma piada, mas após fintar os olhos da minha mãe com uma expressão  ’Mas já não estava tudo curado?’ conclui que de piada não tinha nada, acredito que todos nós concordamos que ver a nossa mãe a chorar é das segundas piores dores no mundo (a primeira é o Ronaldo ter voltado para o Manchester United), e naquele momento foi uma dor brutalmente forte e senti o meu mundo a cair, perceber que talvez o meu pai dure um mês ou até mesmo um ano (pensando no lado positivo), fez-me realmente pensar na quantidade de vezes que nós desprezámos um abraço, um beijo, um bom dia, e um 'bom trabalho’ e depois dessa pequena reflexão, limito-me todos os dias a dar um beijo de bom- dias ao meu pai e a dizer-lhe todos os dias ’tem um ótimo dia’, afinal nunca saberei o dia que ele irá partir.
Vamos ignorar que a minha família é toda neste momento cancerigena, e que isso faz-me realmente pensar se um dia serei eu a levar com quimioterapia nas veias enquanto a minha família comenta o quanto eu sou forte, porque sim, isto é o que acontece em TODOS os casos de cancro da minha família, e com o cancro vem a falsidade e a hipocrisia da minha família e os básicos’vai ficar tudo bem’, sendo que nem eles acreditam nisso e comentam enquanto jantam que vai ser difícil para a pessoa recuperar da doença e que deviam já escolher a roupa para o funeral, e o ’ligue-me se precisar de algo’, porém quando estiver a morrer as únicas pessoas que irão lá estar são as que lhe viram nascer ou a sua família de casa e serão as únicas que sentirão a sua falta.
 Mas com esta história do cancro, pensei para mim mesmo a força que um médico precisa de ter para dizer à pessoa que está doente, que está com cancro e pode morrer a qualquer segundo, pois tenho a certeza que se eu fosse médico eu teria de preparar o que ia dizer umas duas semanas antes e mesmo assim iria chorar.  
Mas a verdadeira pergunta é quem realmente sabe quando irá ser a nossa vez de ir? Deus? Um ser que acreditamos que poderá não ser Deus? Ou simplesmente ninguém? Por isso, aproveitem enquanto podem e sejam felizes.

Até um dia 

Saturno.

Quando a vida te der limões, eu não vou contar uma história sobre como o amigo do meu primo morreu por causa dos limões-Emily McDowell

 

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